segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Artista de verdade usa roupa com brilho!!!

Lembro da minha mãe falando, quando eu era mais nova, e víamos nas ruas alguém com vestimenta cheia de paetês (era moda nos idos 1980):"pensa que é artista?".

Outrora, quem usava roupas brilhantes ou exuberantes eram os artistas e os mais loucos, diga-se de passagem. Hoje qualquer pessoa mais livre dos padrões usa um brilhinho. tenho muito lurex no armário e gosto.

Mas, voltando aos artistas, como o brilho, a exuberância e etc., hoje é bem vista em qualquer mortal, as pessoas não são mais consideradas estranhas por isso, parece que os artistas resolveram ficar mais apagadinhos. Não tem nada mais triste do que um artista que se veste como se estivesse indo à padaria comprar pão: calça jeans, camiseta e tênis surrado. A não ser que ele seja um  roqueiro grunge perdido no tempo. Fora isso, tem que criar um estilo diferenciado. O povo gosta de artistas por isso mesmo, porque eles se vestem e agem daquele jeitinho que gostaríamos de fazer se não tivéssemos tantas amarras criadas pelas cordas das convenções sociais e pelo "senso" de normalidade, do padrão.

Postei no Facebook outro dia que não considero nada mais constrangedor do que um cover. Não mudei de ideia, entretanto, compreendo perfeitamente alguém que tenha o desejo ardente de ser um Ney Matogrosso, uma Madonna, um Michael Jackson, um Jimi Hendrix, uma Elke Maravilha, um David Bowie. Tem tanta gente maravilhosa, com atitudes inovadoras, chocantes, autênticas, é normal se projetar nestas personalidades. Agora tentar ser um artista 24 horas, é outra coisa.

Neste textinho quero prestar minha homenagem a essa gente irreverente que veio ao mundo somente para chacoalhar a rotação, para tirar o planeta Terra desta linearidade.

Que maravilha estes artistas no sentido amplo da palavra. No século 21, acredito que este tipo de artista esteja em extinção, que estejam acabando. A globalização é uma pasteurização econômica, social e cultural, e a gente vai se globalizando no sentido perverso para o qual atentou o geógrafo Milton Santos (1926 - 2001),vamos ficando todos padronizados e esquecendo destas diferenças que nos enriquecem enquanto seres humanos, considerando o distinto como estranho, como errado, como qualquer coisa negativa. Bem, é aquela história, não se agredindo e nem ofendendo o outro, que mal tem, né?

Por essas e por outras, na atualidade temos bem poucos artistas que conseguem abarcar estas qualidades tão ousadas. Acho que no Brasil só consigo pensar na linda Gaby Amarantos, a única que se atreve e que foi tema do primeiro texto do ano deste blog: minina abusada! Ah, lembrei também da Karina Buhr. Vi uma apresentação dela na MTV que me deixou sem ar. O único programa bom da MTV, o do China. Eita, mininu porreta.

Lá fora, eu me lembro do Marilyn Manson, que choca, mas que banca. Alias, para quem pensa que esse pessoal é louco, muito se engana. Quem o viu fazendo um depoimento sobre a violência no filme do Michael Moore, Tiros em Columbine, de 2002, viu o moço com um discurso consciente e coerente sobre a influência que seus vídeos musicais podem causar nos jovens. Muy inteligente! A Lady Gaga é outra que não é cantora, é performer, artista. Cada vez que ela aparece é um espetáculo diferente. A Bjork, nem quero comentar, acho que ela é insuperável. Bom, apresento abaixo algumas destas pessoas que me deixam de queixa caído. Eu não quero ser John Malkovich, quero ser artista e fazer show!

Jimi Hendrix (1942 - 1970) criou um estilo único que mescla o rock e as raízes rurais do gênero, o coletinho demarca esta herança.
Cindy Lauper surgiu no mesmo momento que outra diva pop, Madonna. Cabelos super coloridos, maquiagem demarcada e brilhante, luvas com dedos cortados, ela conseguiu misturar o punk inglês com o mundo pop. Fazendo a linha menina-mulher da pele branca Cindy Lauper, hoje em dia, é uma artista madura e que continua pesquisando muito, entretanto, com visual mais sóbrio.
A jamaicana Grace Jones começou como modelo e se tornou atriz e cantora. Seu porte incomum a fez um mito de beleza e de irreverência. Aqui ela apresenta visual que lembra os moicanos, mas também se assemelha com uma ave.

O grupo Secos e Molhados dispensa apresentações. O figurino e maquiagem das aparições se assemelham aos do grupo norte-americano Kiss, porém dizem que eles começaram a se maquiar desta forma antes dos norte-americanos. Corpos seminus e sensualizados, pintados, repletos de plumagens e brilhos, este foi o Secos e Molhados. Abaixo, o astro Ney Matogrosso que deu continuidade à irreverência do grupo e trouxe este glamour até os dias de hoje. 

Gaby Amarantos é um presente para a MPB, isso sim é MPB. Ela é linda, não é formatada, é autêntica e muito atrevida, das letras de músicas aos figurinos que são sempre diferentes, sejam aparições em programas de televisão sejam nos shows. Ela merece todo o sucesso que tem colhido. Que nos inspiremos nesta representante do estilista Thierry Mugler em terras brazucas.
Madonna é Madonna. Depois de décadas, ela continua com vigor para inovar sempre em seus figurinos. De menina rebelde à mulher sensual, de moça católica à dançarina da disco, ela vai se reinventando a cada novo álbum, inclusive, sem medo de modificar as madeixas que já foram loiras, pretas e agora ruivas, mas a cor original é castanho. 
David Bowie que é cantor, compositor, produtor musical e lindo e elegante para todo o sempre, criou um personagem chamado Ziggy Stardust no início dos anos de 1970, que, posteriormente, foi eliminado pelo próprio cantor. O personagem era amante das drogas, andrógino e fashion. observe que ele já usava batom vermelho.
Lady Gaga não é cantora, cada video clipe dela é uma performance. As coreografias são de praxe para qualquer cantor ou cantora que desejar se aproximar do público, isso é prática comum atualmente. Todavia, a lady não se restringe a isso, ela elabora todo um visual que combina dança, figurino, filmagem e arrasa, seja vestida de carne ou de plástico filme, ela é das mais originais.
Inteligentíssimo e antenado no mundo, o cantor Marilyn Manson e sua aparência "burtiniana" vieram para chocar as famílias "decentes" já desacostumadas com os astros mais originais e provocadores. O músico e pintor abusou das cores escuras, do visual dos clássicos filmes de zumbis e das opiniões polêmicas para fazer fama, mas isso é um personagem. Quem assistiu à alguma fala do cantor sabe o quanto ele é coerente e que desejou apenas fazer fama a partir das incoerências da vida, como a união dos nomes Marilyn (Monroe) e (Charles) Manson.
Michael Jackson (1958 - 2009) foi único. À parte seus graves problemas familiares e sexuais, ele foi o grande inventor dos videos clips e, ainda por cima, desde menino foi se reinventando. Primeiro com os irmãos em The Jacksons ou Jacksons Five, depois, na careira solo com sua calça cigarrete, soquetes brancas e mocassim preto. Ah, a jaqueta de couro vermelha e as luvas brancas também viraram clássicos. Talvez ele seja um dos cantores mais imitados de todos os tempos junto com Elvis Presley. Puxa, que pena que ele se foi. Totalmente show!
Conheci Karina Buhr em um ensaio fotográfico para a revista LOLA, que fiz à convite de Luara Calvi, minha amigona, linda, loura e inteligente. Na hora nem sabia quem era e a achei bem simplesinha. Depois a vi no palco e não era a mesma pessoa, era um furacão. Performance é com ela mesma, coisa linda e corajosa de ver hoje num ambiente musical onde cada quer ser mais "cool" que o outro e compreendem cool fazendo cara deste mesmo fonema e seu significado em português. Fora as maquiagens dela, que são lindas, são arco-íris.

O inglês Boy George é herdeiro da androginia de David Bowie. Mas, ele era muito mais feminino e ousado com seus cabelos trançados à maneira jamaicana. Quando eu era criança adora ver, adorava dançar as suas músicas alegres e sentimentais. Outra coisa, ele andava sempre maquiado, com olhos bem marcados e blush pra que te quero.

Um comentário:

  1. Renata, que texto inteligente e bacana. Aprendi muito com você. Muito obrigada por compartilhar esse texto conosco.
    Abraçøs
    Vani

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