quarta-feira, 22 de junho de 2011

Reflexão sobre a função do serviço educativo de algumas instituições culturais de São Paulo - parte 2

Ufa!!! Os ânimos estão mais calmos, de verdade! Então, toda a discussão que trouxe na primeira parte deste texto pode, e deve, ser considerada com ponderação. Não tem nada escrito que não seja real. Após meses da minha saída da referida instituição, agora existe um novo coordenador do Núcleo de Educação. Porém, há sinais de mudança? Claro que não! Em verdade o que se deseja é a manutenção de lugares e poderes, o que é realmente muito frustrante. Nada mudou, nada me leva a crer, por exemplo, que em agosto (e já é tarde!), teremos alguma prévia de programação do Núcleo de Educação ou da instituição para que o Mês da Consciência Negra não passe em branco, ou em pardo, como vem ocorrendo já faz alguns anos.  Interessante, porque dois educativos que não possuem relações diretas como a história do povo negro-africano já estão programando o que vão oferecer.
Planejamento das ações, serviços e parcerias que um Núcleo de Educação, Serviço Educativo, etc. e tal deve ter para que o seu público se programe a fim de observar e escolher, de acordo com seus interesses, o que se deseja assistir, ver e conhecer. É fundamental tanto para o já citado público quanto e, principalmente, para os funcionários/educadores que trabalham nas instituições que isto seja feito. Não é luxo! É necessário! Os mesmos devem estar preparados e seguros para a realização do que as Diretorias propõem. Infelizmente, alguns importantes espaços de São Paulo não funcionam desta maneira profissional e ética e suas programações continuam a ser materializações de egos frustrados, uma espécie de sublimação, nos quais o que o público apreende das exposições e de outras atividades é o que menos importa. Já dizia um importante manual inglês de ações em museus: "O serviço educativo se inicia com uma exposiçao didática". Didático não tem por significado "subestimar o público", mas sim proporcionar meios de compreensão que dispensem a ação de um educativo que, neste caso, complementaria a proposta de entendimento da exposição apresentanda, não sendo exatamente uma muleta ou bula ambulante. Alias, já vi exposições com uma bulazinha abaixo de cada obra...Aff!
Bom, como diz o Sr. Barmak: "Arte é Educação!". Já citei esta máxima antes e vamos ver no que dá.
Gostaria muito de participar (como visitante) de programações dinâmicas, inovadoras e interessantes neste mês de suma importância para a população brasileira (ainda que tenha quem reconheça Tiradentes e não reconheça Zumbi. Bem, vai ler!).
Tenho conhecido muita gente grávida de ideias e que precisa apenas de espaço e alguma verba. Apoiar tais grupos, coletivos e inicitaivas também pode ser papel destas instituições como já faz o Itaú Cultural e o Conjunto Cultural da CEF quando abrem seleção para projetos cujas as temáticas são variadas!
Por outro lado, já que algumas instituições não abarcam estas propostas e iniciativas, nós temos que cobrar. As Organizações Sociais são geridas com verba pública, não são instituições particulares, a não ser no que diz respeito à gestão. Deste modo, "Ouvidoria" é um canal de comunicação que deve ser utilizado mesmo, para elogiar, reclamar, propor, cobrar. Temos que aprender a fazer este papel "chato" que torna a realidade mais "legal", com mais opções de diálogos, lazer e cultura que não essenciais ao homem contemporâneo. Dizia Dona (Ave Maria!) Ana Mae Barbosa (algo assim...) "que um homem que não conhece a sua própria cultura, não desenvolve seu senso de cidadania, de pertencimento, não tem uma identidade". É mais ou menos isso!

Vamos esperar!

Seguem links de blogs dessa brava gente artista produtora e propositora para que você se informe, peça, conheça, cobre, exija o que é nosso de direito: cultura de qualidade e que não beneficie sempre os mesmos nomes já destacados, mas que propiciem oportunidades.


www.edicoestoro.net
promove cursos, eventos e publicações! Inscrições abertas para curso sobre Cordel que será realizado em julho, mês de férias!

omenelicksegundoato.blogspot.com
promove encontros sobre cultura urbana e afro-brasileira, além de ter uma publicação física de mesmo (linda) distribuida gratuitamente
www.oscrespos.com.br
coletivo de tetatro formado por atores da EAD - USP.
espacoclario.blogspot.com
coletivo de teatro premiado formado por atrizes e atores de Taboão da Serra, onde possuem um espaço que promove atividades culturais como aulas de teatro e capoeira.
ciacapulanas.blogspot.com
coletivo de teatro formado por atrizes negras que abordam questões relacionadas à mulher.
zinhotrindade.blogspot.com
Zinho Trindade e o Legado de Solano, descendente de Chico Science promovem a mistura entre os ritmos tradicionais e contemporâneos.
artistasviajantesdanossagoma.blogspot.com
caminhadas artísticas culturais pelo conjunto José Bonifácio em Itaquera, esta é a primeira ação, serão 06 encontros de junho a outubro.
Informe-se e divirta-se porque é tudo gratuito!

Um comentário:

  1. "O serviço educativo se inicia com uma exposição didática".
    Renata, acho que este é um problema que vem antes do serviço educativo e sim que se encontra em um âmbito curatorial, mas o problema vai mais além, a instituição determina a curadoria. Por mais que as instituições possuam um carácter público já está mais do que provado que os interesses prioritários refletem a postura do investidor privado que está por trás.Afinal não faz sentido patrocinar algo que vá contra a postura "moral" da empresa. É aquela velha história dos "mecenas". Para mudar isso acredito que a solução seja criar um fluxo cultural paralelo e independente, onde pode-se operar em liberdade às vontades institucionais. Esperar que as instituições mudem é um tanto inútil. O caminho mais plausível seria criar sua própria ação paralela, como por exemplo organizações de terceiro setor ou simplesmente executar projetos independentes. A instituição está instituida e será difícil de derruba-la sem uma mudança profunda da sociedade (o que ao meu ver infelizmente ainda está longe de acontecer). O comportamento moribundo dos funcionários deriva desta da falta de perspectiva de mudança o que com que caia o idealismo e impere o comodismo depressivo. Triste mas real.

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